setembro, 25
Desligando as tomadas


Eu gosto muito de jogar videogame, assistir TV, usar a internet — na verdade, eu trabalho com isso também. E, virava e mexia, eu estava jogando videogame, numa fase legal do jogo, jogando online com amigos, e o videogame desligava de repente. Quando eu olhava para o lado, estava lá o Theo, com a tomada na mão, olhando para minha cara, com aquela cara de sapeca.
Ou, de repente, assistindo TV — jogo de futebol, jornal, alguma coisa que estava prendendo minha atenção — a televisão desligava, e quando eu olhava para o lado, estava lá o Theo com a tomada da TV na mão, com aquela cara de sapeca.
Às vezes, usando a internet, assistindo um vídeo ou subindo algum conteúdo para a internet, a conexão parava de funcionar, e eu ia até o quarto verificar o que tinha acontecido. Estava lá o Theo com a tomada do roteador na mão.
E quando você vira pai, adquire superpoderes. Um desses poderes é saber exatamente o que seu filho está dizendo sem ele precisar falar uma palavra sequer.
Meu filho estava gritando pela minha atenção, implorando para que eu olhasse para ele. Parece que, quando fui até o quarto verificar o que tinha acontecido com o roteador e o vi com a tomada na mão, ele estava me dizendo: “agora parece que é a minha vez”.
Ele estava me desconectando de tudo aquilo que me desconectava dele, implorando pela minha atenção e pelo meu abraço.
Eu não quero que a saudade e a culpa me lembrem de tantas tomadas que meu filho desligou só para chamar minha atenção. Mas quero que a satisfação e a felicidade me lembrem que eu desliguei todas as tomadas que podia para ficar um minuto no abraço do meu filho.